segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Livros

Autor do livro “Dores crônicas que nem te conto” (2011), pela editora Literata (SP)





Autor do livro “Minha vida comum: ensaios sobre quatro deficientes mentais” (2012)



Trecho do livro-reportagem "Minha vida comum":
Dentro da mochila um bloco de notas, um gravador, uma

máquina fotográfica e alguns preconceitos. A identidade na carteira,

o dinheiro do ônibus separado, o celular carregado, as janelas

fechadas. Era um sábado com cara de chuva. O jovem que estava

prestes a conhecer me fez lembrar de um poema sobre alguém que

tenta atravessar uma ponte esperando encontrar luz do outro lado,

além da neblina, através da escuridão, mas ao atravessar a ponte,

não há ninguém do outro lado.

         Um dia antes, por telefone, perguntei para o pai dele:



         - O Rafael consegue se comunicar?

         - Não. – foi a resposta taxativa, seca, sincera. – É impossível.

        

         Dizer que Rafael tem 17 anos e quase sempre está sorrindo é muito pouco para apresentá-lo.



Rafael é autista. É hiperativo. É esquizofrênico.



         Ele é um jovem que não consegue interagir. Apenas seus

pais, da melhor forma que podem, entendem quando o filho está

bem ou não. Os medos e desejos do Rafael não costumam se manifestar

por meio da expressão facial, seja o sorriso ou a lágrima.

         Das variações existentes no grau do autismo, Rafael é um autista

do tipo grave.

         Rafael não sabe quem é ele. Só foi se reconhecer no espelho

depois dos 12 anos. Rafael se alegra com sua própria festa de aniversário,

mas não sabe o que é aniversário, não sabe que está ficando

mais velho, não sabe o que é tempo. Rafael não sabe o que é dia.

Não sabe o que é noite. Não sabe o que é Deus, não sabe o que é

vida, o que é morte. Não sabe o que é “em cima”, não sabe o que

é “embaixo”. Não sabe o que é dentro, não sabe o que é fora. Não

sabe o que é direita, o que é esquerda. Não sabe o que são números,

cores, palavras, não sabe!



(Diego Gianni, “Minha vida comum”, 1º capítulo, p. 12 e 13).

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